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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

QUAL A BRIGA POLÍTICA DE ISRAEL?

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QUAL A BRIGA POLÍTICA DE ISRAEL?

Diferentemente do pensamento geral, Israel é composto por partidos frágeis, um sistema representativo confuso e uma sociedade movida por mudança. A realidade é mais complexa que o dualismo sionista-islamita contado, principalmente, na mídia internacional.

As eleições de Israel aconteceram nesta semana e o seu resultado surpreendeu a vários analistas. Parecia improvável a escapada de um triste destino: o premier Binyamin Netanyahu aparecia como o líder que representava em perfeição o “israelense médio” -- religioso, expansivo territorialmente, centralizador nas tomadas de decisões e belicoso --, o Likud (partido do premier) encabeçava uma coalizão de direita a ganhar facilmente a maioria e as questões de segurança nacional seriam primordiais nos anos desta legislatura. Isto não aconteceu, e há vários indícios de que os jogos sociais podem ter novas demandas sociais e personagens emergentes nos próximos anos.

O Estado de Israel é muito jovem e instável. Sua existência política soberana possui pouco mais de 60 anos, tendo sido realizada, em grande parte, mais pelas armas do que por relações externas conduzidas por consensos diplomáticos. Israel tem um saldo de mais de uma dezena de guerras nesse período.

Igualmente instável e tenso é o regime democrático israelense. Em descrição sumária, ele é institucionalmente parlamentarista e unicameral, com um presidente eleito diretamente (a cada 7 anos) que dita a agenda do Estado e um primeiro-ministro advindo do parlamento (voto partidário em lista fechada), que governa o país por 4 anos. Tal definição é recente: há cerca de uma década, um estranho modelo que elegia diretamente o premier (que poderia ser minoria no congresso) e permitia o levantamento de “moções de desconfiança” (um instituto comum no parlamentarismo, que possibilita a convocação de eleições extemporâneas), por iniciativa tanto do executivo quanto do legislativo, fazia com que novas eleições pudessem brotar dos humores alterados de um premier em minoria parlamentar ou como desculpa por pouca atenção dada aos deputados. Soma-se a isto tudo um sistema partidário fragmentado em pequenas legendas e com um índice que varia entre 8 e 13 a quantidade de partidos relevantes. Uma armadilha para se montar maiorias governativas.

O sistema político foi gradativamente modificado, nos últimos 20 anos, por constantes testes e invencionices. Junto a isto, a sociedade israelense foi reinventando-se e ficando mais complexa.

A pauta política fortemente baseada no conflito com as vizinhanças árabes -- de domínio dos velhos líderes Ariel Sharon, Shimon Peres, Ehud Barak e Bibi Netanyahu, voltada eminentemente para a defesa nacional e a beligerância como estratégia – parece obscurecida diante da emergência da demanda dos jovens por educação de qualidade, por seguridade social, qualidade de vida urbana e pela menor influência do dinheiro na política. A coalizão de direita de Netanyahu obteve maioria simples, com 31 das 120 cadeiras parlamentares, algo que exigirá em seu mandato vindouro uma aproximação dos partidos de centro e esquerda para a obtenção de maioria. Enquanto isto, um sugestivo partido chamado Yesh Atid (Há Futuro) ocupará 19 assentos no Palácio Knesset, liderado por uma estrela de televisão e voltado para uma plataforma laicista, voltada para as novas demandas sociais.

A atual composição de forças poderá aprofundar o debate político a respeito de novos temas, amainar as relações com Palestina e Irã e, ainda, reforçar os anseios por um governo mais ético e voltado para problemas domésticos, refletindo os anseios sociais dos novos eleitores/atores sociais centristas do Yesh Atid. Diferente do que pensam os intelectuais conservadores, não se trata de “rachar” mais ainda Israel, e sim de inserir outros interesses políticos e demandas sociais, de reluzir outros estratos populacionais e culturais dentre o sistema representativo.

JOVENS DO PARTIDO OPOSICIONISTA YESH ATID "TOMAM TODAS" APÓS O RESULTADO DA ELEIÇÃO ISRAELENSE. ELES VENCERAM? SÓ O TEMPO DIRÁ. (créditos: nytimes.com)



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Inauguro agora este espaço para tratar de gente vivendo, fazendo e falando dos outros e de si.



Boa noite, boa sorte e ao imponderável!
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De onde vem a INFLAÇÃO?

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Conhecer os fundamentos de um índice, qualquer que seja, é um dos exercícios que o economista precisa fazer para analisar a riqueza de uma região, um setor produtivo ou uma faixa populacional. 

Desconsiderando o "economês", Delfim Netto explicou as causas da Inflação na economia do modo mais sintético e didático que já vi. Serve bem para "desabstrair" o número frio do índice.

Leia:

"A taxa de inflação é como um "radiador" que dissipa o calor produzido pela inércia. Exemplificando sem exaurir:
1º) Por todos os atritos naturalmente produzidos pela demora necessária para ajustar as demandas setoriais (choques de oferta, mudança de hábitos) com as respectivas ofertas;
2º) Pela deficiência da infraestrutura;
3º) Pelos obstáculos institucionais e políticos que retardam os ajustes da oferta dos insumos básicos;
4º) Pelos exageros cometidos pelo poder incumbente quando perde o senso e se entrega ao voluntarismo populista, que ignora as restrições físicas impostas pelas identidades da contabilidade nacional;
5º) Pelo próprio governo quando tenta proteger sua receita pela indexação automática de impostos, preços, tarifas ou salários da própria inflação que está criando;
6º) Pelo estímulo ao crédito quando não há mais fatores de produção disponíveis em proporção adequada e a acumulação do deficit em conta-corrente não permite importá-los;
7º) Quando os salários reais crescem acima da produtividade física do trabalho." (FSP, Inflação, 23/01/2013).

A inflação fica explícita quando há um desajuste entre consumo e demanda, mas possui também outras origens. [crédito: www.cicero.art.br]
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"SAÍDA" À BRASILEIRA (OU SERIA ENTRADA? QUIÇÁ SOBREVIDA?)

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"SAÍDA" À BRASILEIRA (OU SERIA ENTRADA? QUIÇÁ SOBREVIDA?)
Surpreendi a todos aqui em casa. Fiquei na surdina sobre o vestibular para DIREITO na UFGD e passei. Todos impressionaram-se com meu feito.
Dilema à vista. Foi surpreendente a aprovação por conta da concorrência, afinal nunca sequer fiz um dia de cursinho pre-vestiba ao longo da vida, algo q não me impediu de passar por o quê marcava quase 30 candidatos por vaga; é tentador fazer Direito, mais pela escassez de oportunidades nas História, Sociologia & Cia do que propriamente pela beleza ou qualidade do curso.

Desenha-me a seguinte questão: pela debilidade das CS (inclua nelas a Hist) em inserir gente no mercado e uma série de outras dificuldades próprias da área (tão longas que indescritíveis aqui, como a circunscrição à atuação docente no Brasil, pois quase não há cargos no Estado, ou na esfera privada, para atuação profissional de Historiadores ou Sociologos), deverei recolher-me à tradição do bacharelismo brasileiro e entregar-me ao que consigo trabalhar?

Sinceramente, a realidade manifesta-se cada vez mais deprimente aos profissionais das humanidades. Somos treinados para falar mal de tudo, todavia não fazemos o suficiente para incluir a área que atuamos no que é legitima e relevantemente corrente na vida do país. Somos desorganizados enquanto classe e pouco influimos em decisões. Vivemos a criticar treinamentos e somos treinados para gracejos estritamente teorico-filosoficos! Somos concretamente forçados e restringidos a péssimas condições de trabalho e docilmente falamos de teorias mirabolantes diante dos alunos, nossos únicos e parcos alvos de influência.

Algumas considerações sobre uma espécie muito comum que povoa o país, os licenciados com algum mestrado: 1) ela precisa dar aula em condições precárias como contratados de universidades públicas, com muitíssimas horas de trabalho e sem qualquer garantia futura; 2) submetem-se a dezenas de horas semanais de ""aulas"" (aspas duplas) com a molecada; 3) partem para os famigerados centros universitários privados para serem escalpelados por chefes idiotas. Pastamos ante o que a Dilma fará para o "mundial" 2014, sem que haja quadros tecnicos das CS no Estado brasileiro para dizer o que fazer.

Lamento por tudo e mantenho-me na luta pelas regulamentação das profissões nas CS, expansão de vagas no serviço público e profissionalização efetiva e AMPLA, para além da formação de professores e desde a graduação, de alunos nas CS. Porém a história empurrou-me. A episteme das humanidades permanecerá em mim e disto não abro mão, também continuarei como contestador de esquerda e tudo o mais. Contudo, preciso sobreviver neste mundo devorante (leia objetiva e simplesmente: pagar contas porra!). Sou vitima-autor de mais uma "saída à brasileira" de uma área acadêmica profissionalmente ingrata e com oportunidades diminutas.
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