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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

"SAÍDA" À BRASILEIRA (OU SERIA ENTRADA? QUIÇÁ SOBREVIDA?)

"SAÍDA" À BRASILEIRA (OU SERIA ENTRADA? QUIÇÁ SOBREVIDA?)
Surpreendi a todos aqui em casa. Fiquei na surdina sobre o vestibular para DIREITO na UFGD e passei. Todos impressionaram-se com meu feito.
Dilema à vista. Foi surpreendente a aprovação por conta da concorrência, afinal nunca sequer fiz um dia de cursinho pre-vestiba ao longo da vida, algo q não me impediu de passar por o quê marcava quase 30 candidatos por vaga; é tentador fazer Direito, mais pela escassez de oportunidades nas História, Sociologia & Cia do que propriamente pela beleza ou qualidade do curso.

Desenha-me a seguinte questão: pela debilidade das CS (inclua nelas a Hist) em inserir gente no mercado e uma série de outras dificuldades próprias da área (tão longas que indescritíveis aqui, como a circunscrição à atuação docente no Brasil, pois quase não há cargos no Estado, ou na esfera privada, para atuação profissional de Historiadores ou Sociologos), deverei recolher-me à tradição do bacharelismo brasileiro e entregar-me ao que consigo trabalhar?

Sinceramente, a realidade manifesta-se cada vez mais deprimente aos profissionais das humanidades. Somos treinados para falar mal de tudo, todavia não fazemos o suficiente para incluir a área que atuamos no que é legitima e relevantemente corrente na vida do país. Somos desorganizados enquanto classe e pouco influimos em decisões. Vivemos a criticar treinamentos e somos treinados para gracejos estritamente teorico-filosoficos! Somos concretamente forçados e restringidos a péssimas condições de trabalho e docilmente falamos de teorias mirabolantes diante dos alunos, nossos únicos e parcos alvos de influência.

Algumas considerações sobre uma espécie muito comum que povoa o país, os licenciados com algum mestrado: 1) ela precisa dar aula em condições precárias como contratados de universidades públicas, com muitíssimas horas de trabalho e sem qualquer garantia futura; 2) submetem-se a dezenas de horas semanais de ""aulas"" (aspas duplas) com a molecada; 3) partem para os famigerados centros universitários privados para serem escalpelados por chefes idiotas. Pastamos ante o que a Dilma fará para o "mundial" 2014, sem que haja quadros tecnicos das CS no Estado brasileiro para dizer o que fazer.

Lamento por tudo e mantenho-me na luta pelas regulamentação das profissões nas CS, expansão de vagas no serviço público e profissionalização efetiva e AMPLA, para além da formação de professores e desde a graduação, de alunos nas CS. Porém a história empurrou-me. A episteme das humanidades permanecerá em mim e disto não abro mão, também continuarei como contestador de esquerda e tudo o mais. Contudo, preciso sobreviver neste mundo devorante (leia objetiva e simplesmente: pagar contas porra!). Sou vitima-autor de mais uma "saída à brasileira" de uma área acadêmica profissionalmente ingrata e com oportunidades diminutas.
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