"SAÍDA" À BRASILEIRA (OU SERIA ENTRADA? QUIÇÁ SOBREVIDA?)
Surpreendi a todos aqui em casa. Fiquei na surdina sobre o vestibular
para DIREITO na UFGD e passei. Todos impressionaram-se com meu feito.
Dilema à vista. Foi surpreendente a aprovação por conta da
concorrência, afinal nunca sequer fiz um dia de cursinho pre-vestiba ao
longo da vida, algo q não me impediu de passar por o quê marcava quase
30 candidatos por vaga; é tentador fazer Direito, mais pela escassez de
oportunidades nas História, Sociologia & Cia do que propriamente
pela beleza ou qualidade do curso.
Desenha-me a seguinte
questão: pela debilidade das CS (inclua nelas a Hist) em inserir gente
no mercado e uma série de outras dificuldades próprias da área (tão
longas que indescritíveis aqui, como a circunscrição à atuação docente
no Brasil, pois quase não há cargos no Estado, ou na esfera privada,
para atuação profissional de Historiadores ou Sociologos), deverei
recolher-me à tradição do bacharelismo brasileiro e entregar-me ao que
consigo trabalhar?
Sinceramente, a realidade manifesta-se cada
vez mais deprimente aos profissionais das humanidades. Somos treinados
para falar mal de tudo, todavia não fazemos o suficiente para incluir a
área que atuamos no que é legitima e relevantemente corrente na vida do
país. Somos desorganizados enquanto classe e pouco influimos em
decisões. Vivemos a criticar treinamentos e somos treinados para
gracejos estritamente teorico-filosoficos! Somos concretamente forçados e
restringidos a péssimas condições de trabalho e docilmente falamos de
teorias mirabolantes diante dos alunos, nossos únicos e parcos alvos de
influência.
Algumas considerações sobre uma espécie muito
comum que povoa o país, os licenciados com algum mestrado: 1) ela
precisa dar aula em condições precárias como contratados de
universidades públicas, com muitíssimas horas de trabalho e sem qualquer
garantia futura; 2) submetem-se a dezenas de horas semanais de
""aulas"" (aspas duplas) com a molecada; 3) partem para os famigerados
centros universitários privados para serem escalpelados por chefes
idiotas. Pastamos ante o que a Dilma fará para o "mundial" 2014, sem que
haja quadros tecnicos das CS no Estado brasileiro para dizer o que
fazer.
Lamento por tudo e mantenho-me na luta pelas
regulamentação das profissões nas CS, expansão de vagas no serviço
público e profissionalização efetiva e AMPLA, para além da formação de
professores e desde a graduação, de alunos nas CS. Porém a história
empurrou-me. A episteme das humanidades permanecerá em mim e disto não
abro mão, também continuarei como contestador de esquerda e tudo o mais.
Contudo, preciso sobreviver neste mundo devorante (leia objetiva e
simplesmente: pagar contas porra!). Sou vitima-autor de mais uma "saída à
brasileira" de uma área acadêmica profissionalmente ingrata e com
oportunidades diminutas.
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