QUAL A BRIGA POLÍTICA DE ISRAEL?
Diferentemente do pensamento geral, Israel é composto por partidos frágeis, um sistema representativo confuso e uma sociedade movida por mudança. A realidade é mais complexa que o dualismo sionista-islamita contado, principalmente, na mídia internacional.
As
eleições de Israel aconteceram nesta semana e o seu resultado surpreendeu a
vários analistas. Parecia improvável a escapada de um triste destino: o premier
Binyamin Netanyahu aparecia como o líder que representava em perfeição o “israelense
médio” -- religioso, expansivo territorialmente, centralizador nas tomadas de
decisões e belicoso --, o Likud (partido do premier) encabeçava uma coalizão de
direita a ganhar facilmente a maioria e as questões de segurança nacional seriam
primordiais nos anos desta legislatura. Isto não aconteceu, e há vários
indícios de que os jogos sociais podem ter novas demandas sociais e personagens
emergentes nos próximos anos.
O Estado de Israel é muito jovem e instável. Sua existência política soberana
possui pouco mais de 60 anos, tendo sido realizada, em grande parte, mais pelas
armas do que por relações externas conduzidas por consensos diplomáticos. Israel
tem um saldo de mais de uma dezena de guerras nesse período.
Igualmente instável e tenso é o regime democrático israelense. Em descrição sumária, ele é institucionalmente parlamentarista e unicameral, com um presidente eleito
diretamente (a cada 7 anos) que dita a agenda do Estado e um primeiro-ministro advindo do parlamento (voto partidário em lista fechada), que governa o país por 4 anos. Tal definição é recente: há cerca de uma década, um estranho modelo que elegia
diretamente o premier (que poderia ser minoria no congresso) e permitia o levantamento de “moções de desconfiança” (um instituto comum no parlamentarismo, que possibilita a convocação de eleições extemporâneas), por iniciativa tanto do executivo quanto do legislativo, fazia com que novas eleições pudessem brotar dos humores alterados de um premier em minoria parlamentar ou como desculpa por pouca atenção dada aos deputados. Soma-se a isto tudo um sistema partidário fragmentado em pequenas legendas e com um índice que varia entre 8 e 13 a quantidade de partidos relevantes. Uma armadilha para se montar maiorias governativas.
O sistema político foi gradativamente modificado, nos últimos 20 anos, por constantes testes e invencionices. Junto a isto, a sociedade israelense foi reinventando-se e ficando mais complexa.
A pauta política fortemente baseada no conflito com as vizinhanças árabes -- de domínio dos velhos
líderes Ariel Sharon, Shimon Peres, Ehud Barak e Bibi Netanyahu, voltada eminentemente
para a defesa nacional e a beligerância como estratégia – parece obscurecida
diante da emergência da demanda dos jovens por educação de qualidade, por
seguridade social, qualidade de vida urbana e pela menor influência do dinheiro
na política. A coalizão de direita de Netanyahu obteve maioria simples, com 31
das 120 cadeiras parlamentares, algo que exigirá em seu mandato vindouro uma
aproximação dos partidos de centro e esquerda para a obtenção de maioria.
Enquanto isto, um sugestivo partido chamado Yesh Atid (Há Futuro) ocupará 19
assentos no Palácio Knesset, liderado por uma estrela de televisão e voltado
para uma plataforma laicista, voltada para as novas demandas sociais.
A atual
composição de forças poderá aprofundar o debate político a respeito de novos
temas, amainar as relações com Palestina e Irã e, ainda, reforçar os anseios
por um governo mais ético e voltado para problemas domésticos, refletindo os
anseios sociais dos novos eleitores/atores sociais centristas do Yesh Atid.
Diferente do que pensam os intelectuais conservadores, não se trata de “rachar”
mais ainda Israel, e sim de inserir outros interesses políticos e demandas
sociais, de reluzir outros estratos populacionais e culturais dentre o sistema representativo.
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| JOVENS DO PARTIDO OPOSICIONISTA YESH ATID "TOMAM TODAS" APÓS O RESULTADO DA ELEIÇÃO ISRAELENSE. ELES VENCERAM? SÓ O TEMPO DIRÁ. (créditos: nytimes.com) |

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